Vale sabia de problemas em sensores da barragem de Brumadinho, diz PF

  Quinta, 07 de fevereiro de 2019
  Jornal Nacional    |      

    JN teve acesso a depoimentos de engenheiros de empresa alemã. Um deles afirmou que se sentiu pressionado a assinar declaração de estabilidade da barragem.

    O Jornal Nacional teve acesso aos depoimentos dos dois engenheiros da empresa alemã que a Vale contratou pra fazer a inspeção da segurança das operações em Brumadinho.

    Um dos engenheiros disse que se sentiu pressionado a assinar uma declaração de estabilidade da barragem e a Polícia Federal afirmou que e-mails indicam que a Vale sabia de problemas em sensores da barragem, pelo menos dois dias antes do rompimento. A reportagem é de Andréia Sadí e Marcelo Parreira.

    O delegado Luiz Augusto Nogueira, da Polícia Federal, ouviu André Jun Yassuda e Makoto Namba, na sexta-feira passada (1º), em Belo Horizonte. Os engenheiros trabalham para a empresa alemã TÜV SÜD, contratada pela Vale para fazer a inspeção na barragem em Brumadinho.

    No depoimento, Makoto Namba afirma que sabia da existência de uma nascente a montante - ou seja, acima do reservatório da barragem -, e que a água excedente desta nascente corria para dentro da barragem. Disse também que, em julho de 2018, foi construída uma barreira e colocada tubulação na nascente para desviar a água do reservatório.

    Ele contou que em setembro passado, quando fez a inspeção na barragem, solicitou para a Vale construir um sump, uma bacia de contenção, para que o excedente que extravasasse a barreira e a tubulação colocada na nascente ficasse represado nesse local e bombeado.

    Também disse que, no início do projeto de descomissionamento - a retirada dos rejeitos da barragem - a TÜV SÜV apresentou uma solicitação à Vale para a realização de levantamento geofísico a fim de verificar se a água dessas nascentes localizadas a montante - quer dizer, na parte alta do reservatório da barragem -, poderia estar contribuindo para o lençol freático. Este levantamento, segundo ele, ainda estava em fase de contratação pela Vale.

    Durante o depoimento, o delegado leu e-mails trocados entre funcionários da Vale responsáveis pela barragem, da TÜV SÜV e de uma terceira empresa. As mensagens começaram a ser trocadas no dia 23 de janeiro, às 14h38, e se prolongaram até às 15h05 do dia seguinte. A barragem se rompeu no dia 25 de janeiro, dois dias após a primeira mensagem.

     

    O delegado disse que o assunto das mensagens diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros), no dia 10 de janeiro de 2019, instalados na barragem; a que rompeu. Bem como acerca do não funcionamento de 5 piezômetros, sensores que medem a pressão da água.

    No depoimento, não constam detalhes sobre as mensagens. O engenheiro disse que só ficou sabendo das alterações dos dados fornecidos pelos sensores após o rompimento da barragem.

    Perguntado sobre qual seria sua providência caso seu filho estivesse trabalhando no local da barragem, o engenheiro da TÜV SÜV respondeu que, após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local. Bem como que ligaria para o setor de emergência da Vale, responsável pelo acionamento do plano de emergência da barragem, para as providências cabíveis.

    O engenheiro também falou de uma reunião com funcionários da Vale sobre o laudo de estabilidade assinado por ele e disse que um funcionário da Vale chamado Alexandre Campanha perguntou a ele: “A TÜV SÜV vai assinar ou não a declaração de estabilidade?".

    Makoto Namba disse ter respondido que a empresa assinaria o laudo se a Vale adotasse as recomendações indicadas na revisão de junho de 2018, mas assinou o documento. Segundo ele, apesar de ter dado esta resposta para Alexandre Campanha, sentiu a frase proferida como uma maneira de pressionar ele, engenheiro, e a TÜV SÜV a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato.

    O outro engenheiro da TÜV SÜV, André Jum Yassuda, também falou no depoimento sobre os sensores citados nos e-mails. Disse que na inspeção periódica realizada pela TÜV SÜV, em junho de 2018, foram feitas algumas recomendações à Vale, dentre elas, a intensificação do monitoramento e da leitura dos instrumentos e aumento do número de piezômetros.

     

    André Jum Yassuda não soube dizer se a Vale adotou as recomendações acerca da intensificação na leitura dos piezômetros. Indagado se morasse embaixo de uma barragem de rejeitos qual tipo de construção optaria por construir afirmou que “evitaria a de montante”.

    As informações dos depoimentos estão sendo usadas pela Polícia Federal na investigação sobre causas e responsabilidades pelo rompimento da barragem de Brumadinho.

    Nesta terça-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça decidiu, por unanimidade, mandar soltar os dois engenheiros da TÜV SÜV e três funcionários da Vale responsáveis por atestar e monitorar a segurança da barragem. Eles tinham sido presos quatro dias após a tragédia.

    A Vale declarou que tem colaborado ativamente e da forma mais célere possível com todas as autoridades. A mineradora afirmou que é a maior interessada no esclarecimento das causas do rompimento e que, por isso, além dos materiais apreendidos, entregou voluntariamente documentos e e-mails ao Ministério Público e à Polícia Federal.

    A Vale também declarou que vai se abster de comentar particularidades das investigações, para preservar a apuração dos fatos.

    A Tüv Süd divulgou uma nota em que afirma que contratou especialistas para conduzir uma investigação independente. A empresa também declarou que está colaborando com as autoridades.

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