Brasileiros ajudam família venezuelana a superar obstáculos desde que chegou ao país

  Quarta, 26 de dezembro de 2018
  Jornal Nacional    |      

    Juan veio com a família da Venezuela, perdeu o emprego e teve que morar na rua com os filhos e a mulher. Comerciante e professora ajudaram o venezuelano a reconstruir a vida.

    Neste dia de Natal, o repórter Roberto Kovalick mostra como a solidariedade de brasileiros está ajudando uma família de imigrantes a superar obstáculos. Por dia, cerca de 300 venezuelanos chegam ao Brasil, para tentar recomeçar a vida. Metade deles acaba voltando para o país vizinho. Os outros entram na luta para tentar conseguir um emprego.

    A venezuelana Maria Cristina tem carteira de trabalho brasileira há dois anos. Pena que está em branco. Ela era professora de inglês na Venezuela. No Brasil, vive de bicos e da ajuda de programas sociais. “Minha esperança é conseguir um emprego, poder arrumar meu próprio lugar e ter uma vida independente razoável e com dignidade”, diz Maria Cristina Bourne, professora de inglês.

    O desemprego no Brasil e o receio de contratar estrangeiros, por parte das empresas, tornam a situação mais difícil. Muitos venezuelanos que fogem de perseguições políticas ou da crise no país vizinho são profissionais qualificados, como Félix Urvaez, historiador e ex-diretor de um museu em Caracas. Hoje ele pega qualquer trabalho: “trabalho como artista de rua no metrô, em ônibus, mas estou procurando um emprego fixo. Não só por mim, mas pra ajudar minha familia”.

    “Eles não vêm aqui para o Brasil para viver às custas de assistência dos outros. Acho que a grande forma deles conseguirem recomeçar a vida em outro país é trabalhando”, destaca Marília Correa, coordenadora do Programa de Apoio para Recolocação de Refugiados.

    A equipe do JN encontrou Juan há cinco meses, quando foi buscar a família. A mulher e os quatro filhos vieram de Roraima para São Paulo, num avião da Força Aérea, dentro do programa de interiorização dos venezuelanos. De ônibus, eles seguiram para um centro de acolhimento. Scarlet ficou quase seis meses longe do marido, que chegou em março ao Brasil. “É muita emoção. Ter uma família de novo, com meus filhos”, diz Juan.

    Juan conseguiu alugar uma casa, com o que ganhava no trabalho informal numa lanchonete. Na Venezuela, ele era dono de uma pequena empresa de design gráfico. No Brasil, sonhava com um emprego com carteira assinada, para dar mais conforto para a família: “dois filhos estão dormindo aqui, outros dois filhos dormem lá e nós num colchão. Minha meta é pelo menos comprar um beliche para os filhos”.

    Depois que a equipe do JN encontrou Juan, a situação dele piorou muito. Ele perdeu o emprego, teve que viver na rua durante uma semana com a família, depois eles foram para um abrigo. O Juan saiu batendo de porta em porta atrás de trabalho. Até que uma se abriu e Juan está em um novo emprego, fixo e com carteira assinada.

    A loja vende equipamentos para restaurantes, padarias. A função dele é carregar os caminhões e ajudar nas entregas. O dono da empresa disse que Juan chegou aceitando qualquer trabalho, qualquer salário. “Eu descreveria como uma pessoa até meia desesperada. Falou que a familia dele tava morando até na rua, se eu podia pagar até R$ 800 pra ele, no momento. Falei não, eu contrato, mas tem que ser o mesmo nível do meu pessoal”, conta o comerciante Luiz Carlos Cajé.

    Juan foi contratado para ganhar R$ 1300 por mês.
    Repórter: O que representa esse emprego?
    Juan: Representa muito. A estabilidade da minha familia. Realmente, é uma experiência nova, mas tô gostando muito do emprego.

    Com o novo emprego, veio também um novo lugar para morar.

    Repórter: Ainda não conseguiu comprar o beliche?
    Juan: Não, ainda não.
    Repórter: Mas vai comprar?
    Juan: Vou.

    Tanto o emprego quanto o apartamento foram conseguidos por indicação de uma brasileira. Valdirene Pessoa é professora da escola estadual onde os filhos do casal estudam: “quando chegou ao meu conhecimento que eles estavam dormindo e morando na rua. Aí falei: meu Deus, preciso fazer alguma coisa. Aí me mobilizei pra saber quem poderia ajudar com alguma coisa”.

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